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China consolida posição na corrida global à inteligência artificial

RTP Notícias· 17 de julho de 2026 às 08:02
China consolida posição na corrida global à inteligência artificial

O analista económico Scott Kennedy defende que, apesar de Washington liderar a inteligência artificial, a vantagem sobre a China deixou de ser determinante para a maioria dos utilizadores, numa altura em que modelos chineses ganham quota no mercado global.

A corrida à inteligência artificial tornou-se um dos principais eixos da rivalidade tecnológica entre Estados Unidos e China, com Washington a apostar na liderança dos chamados modelos de fronteira e Pequim a acelerar o desenvolvimento de alternativas próprias. Durante anos, a perceção dominante foi a de que os EUA mantinham uma vantagem clara e duradoura, apoiada em empresas como a OpenAI, a Google, a Microsoft ou a Meta, bem como na força do ecossistema de investigação, capital de risco e semicondutores. Mas a leitura de Scott Kennedy aponta para uma mudança relevante: essa distância continua a existir, sobretudo no topo da tecnologia, mas já não é necessariamente decisiva para a esmagadora maioria dos utilizadores.

Na prática, o que está em causa é a passagem da inteligência artificial de uma disputa sobretudo científica para uma competição de adoção massiva. Para empresas, universidades e utilizadores comuns, o que conta muitas vezes não é apenas quem tem o modelo mais avançado em laboratório, mas sim quem oferece produtos mais baratos, acessíveis, integráveis em serviços do dia a dia e adaptados a diferentes mercados. É nesse terreno que os modelos chineses têm vindo a ganhar presença, beneficiando de um mercado interno gigantesco, de forte apoio estatal e de uma estratégia industrial que procura reduzir a dependência de tecnologia estrangeira.

A China tem investido de forma consistente em IA como parte da sua ambição de autonomia tecnológica, numa linha que inclui também os semicondutores, a computação em nuvem e as infraestruturas digitais. Empresas chinesas como a Baidu, a Alibaba, a Tencent ou a ByteDance, bem como novos protagonistas especializados em modelos generativos, têm lançado soluções que procuram competir com os líderes americanos, tanto dentro como fora do país. Ao mesmo tempo, o facto de muitos utilizadores não necessitarem de capacidades de ponta absoluta, mas antes de ferramentas eficazes para tradução, criação de conteúdo, apoio ao cliente ou análise de dados, ajuda a explicar por que razão a vantagem dos EUA pode ser menos decisiva do que parecia há dois anos.

Este reposicionamento tem implicações geopolíticas claras. Se os Estados Unidos mantêm a liderança na investigação mais avançada e no acesso aos chips de topo, a China ganha terreno na aplicação comercial e na difusão internacional de soluções de IA, sobretudo em mercados emergentes e em países que procuram alternativas mais baratas ou menos dependentes de tecnologia americana. A corrida já não se mede apenas pela inovação em si, mas pela capacidade de transformar inovação em influência económica e estratégica. E é precisamente nesse domínio que a inteligência artificial começa a espelhar, com maior nitidez, a disputa mais ampla entre as duas maiores economias do mundo.

Este artigo foi desenvolvido com apoio de inteligência artificial a partir de informação publicada pela fonte original (RTP Notícias). Para todos os detalhes, consulte o artigo original.