Washington avisa Teerão que não vai tolerar incumprimento de acordo

A Administração norte-americana garante que o Irão mantém a via do diálogo e o desejo de alcançar um entendimento com Washington.
A tensão entre Washington e Teerão mantém-se num equilíbrio frágil, num dossier que há anos oscila entre a ameaça de confronto e a procura de entendimento diplomático. A Administração norte-americana voltou agora a sinalizar que não aceitará qualquer incumprimento do acordo em negociação, numa altura em que o Irão continua a ser um dos principais focos de preocupação da política externa dos Estados Unidos e das potências europeias, sobretudo devido ao programa nuclear iraniano e ao impacto regional da sua estratégia militar e diplomática.
O Irão tem procurado, em vários momentos, manter aberta a via do diálogo com os Estados Unidos, apesar de uma relação marcada pela desconfiança desde a rutura provocada pela Revolução Islâmica de 1979 e, mais recentemente, pela saída de Washington do acordo nuclear de 2015 durante a presidência de Donald Trump. Esse entendimento, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, pretendia limitar o programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções económicas. A sua fragilização agravou a instabilidade, empurrando os dois países para um ciclo de pressões, retaliações e negociações indiretas.
A posição agora transmitida por Washington enquadra-se precisamente nesse contexto: os Estados Unidos procuram impedir que Teerão ultrapasse os limites definidos em qualquer novo entendimento, seja em matéria de enriquecimento de urânio, seja no acesso de inspetores internacionais às instalações nucleares. Para a Casa Branca, a credibilidade de um acordo depende da sua aplicação rigorosa, num momento em que a comunidade internacional continua atenta ao risco de o Irão aproximar o seu programa nuclear de uma capacidade militar. Ao mesmo tempo, Teerão tenta usar a diplomacia como forma de aliviar a pressão económica interna, fortemente agravada pelas sanções.
Este braço-de-ferro tem também implicações muito para lá da relação bilateral. Qualquer deterioração do diálogo entre Washington e Teerão tende a refletir-se no Médio Oriente, onde o Irão tem influência através de aliados e grupos armados em países como o Líbano, o Iraque, a Síria e o Iémen. É por isso que, sempre que surgem sinais de avanço ou recuo nas conversações, o impacto é acompanhado de perto por aliados dos Estados Unidos e pelas potências europeias, que veem no dossiê iraniano um teste à capacidade da diplomacia internacional para travar uma nova escalada de tensão na região.