Guterres alerta contra controlo da IA por "um punhado de países ou empresas"
O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou hoje para que não se permita a "um punhado de países ou empresas" controlar o futuro da inteligência artificial (IA), sublinhando que deve ser a humanidade a "moldar" essa tecnologia.
António Guterres voltou a colocar a inteligência artificial no centro do debate internacional, desta vez com um alerta claro sobre a concentração de poder em torno de uma tecnologia que está a transformar a economia, o trabalho, a segurança e até a forma como a informação circula. O secretário-geral das Nações Unidas defende que não se pode deixar o futuro da IA nas mãos de um pequeno grupo de países ou de grandes empresas tecnológicas, numa mensagem que reflete a preocupação crescente com o desequilíbrio entre quem desenvolve estes sistemas e quem acaba por viver com os seus efeitos.
A intervenção de Guterres enquadra-se numa discussão que tem vindo a ganhar peso na ONU e noutras instâncias multilaterais: a IA já não é apenas uma ferramenta técnica, mas um fator de poder geopolítico. Estados Unidos e China lideram grande parte do investimento e da capacidade de inovação, enquanto gigantes tecnológicos privados controlam modelos, infraestruturas e dados essenciais. Esse domínio levanta receios sobre soberania digital, desigualdades entre países e a possibilidade de a tecnologia ser orientada sobretudo por interesses comerciais ou estratégicos, em detrimento do interesse público.
Ao falar em “moldar” a inteligência artificial, o secretário-geral da ONU está também a insistir na necessidade de regras globais. Entre os principais riscos discutidos internacionalmente estão a disseminação de desinformação, o uso da IA em sistemas de vigilância, os impactos no emprego, os enviesamentos algorítmicos e a eventual utilização em contextos militares. Perante isso, cresce a pressão para que exista supervisão humana, transparência e mecanismos de responsabilização, num setor que avança muitas vezes mais depressa do que a regulação consegue acompanhar.
O aviso de Guterres surge num momento em que organizações internacionais procuram estabelecer princípios comuns para uma tecnologia que tanto pode acelerar o desenvolvimento como agravar assimetrias já existentes. A mensagem da ONU é, no essencial, uma tentativa de garantir que a IA não se torne um instrumento de concentração de poder, mas sim uma ferramenta ao serviço de toda a humanidade.