Líder norte-coreano destaca "firme vontade" da China em desenvolver relações bilaterais
O líder norte-coreano, Kim Jong-un, afirmou hoje que a visita do dirigente chinês Wang Huning demonstra a "firme vontade" de Pequim em desenvolver as relações de amizade e cooperação entre os dois países, informou a agência oficial KCNA.
A visita do dirigente chinês Wang Huning a Pyongyang volta a sublinhar a importância da relação entre a China e a Coreia do Norte, uma ligação histórica que continua a ser central para a sobrevivência política e económica do regime de Kim Jong-un. Wang Huning é uma das figuras mais influentes da elite dirigente chinesa, membro da cúpula do poder em Pequim e responsável por áreas de grande sensibilidade política. A sua presença na capital norte-coreana foi interpretada por Kim como um sinal claro de que a China pretende manter e reforçar a cooperação com o aliado vizinho.
As relações entre os dois países têm raízes na guerra da Coreia e foram durante décadas marcadas por uma mistura de proximidade ideológica, dependência estratégica e desconfiança mútua. Para Pyongyang, Pequim continua a ser o principal parceiro económico e uma espécie de garante de estabilidade num contexto de fortes sanções internacionais e isolamento diplomático. Para a China, a manutenção de canais com a Coreia do Norte serve objetivos de segurança regional, sobretudo numa zona onde qualquer escalada militar pode envolver também os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão.
A afirmação de Kim Jong-un surge num momento em que a Coreia do Norte tem reforçado a sua retórica militar e o seu programa de armamento, ao mesmo tempo que procura preservar o apoio político de Pequim e Moscovo. A guerra na Ucrânia e o agravamento das tensões globais aproximaram ainda mais regimes que contestam a ordem internacional liderada pelo Ocidente, criando novas margens de manobra para Pyongyang. Neste contexto, cada contacto diplomático com altos responsáveis chineses ganha peso simbólico e prático.
A deslocação de Wang Huning a Pyongyang indica que Pequim continua empenhada em gerir a relação com o regime norte-coreano sem romper o equilíbrio delicado entre apoio e contenção. A China não quer o colapso do regime vizinho, que poderia gerar instabilidade na fronteira e um possível reforço da presença militar norte-americana na região. Ao mesmo tempo, também procura evitar que a Coreia do Norte avance em provocação militar excessiva, capaz de desestabilizar a Ásia Oriental. É nesse jogo de influência, prudência e interesse estratégico que se enquadra a mensagem agora transmitida por Kim Jong-un.