Maradona "estava em queda livre" antes da morte revela secretário pessoal
O secretário pessoal de Diego Maradona declarou esta quinta-feira, no julgamento pela morte do ídolo argentino que, um mês antes do morrer, este estava "em queda livre" por problemas de saúde e consumo de álcool em excesso.
A morte de Diego Maradona continua a marcar o imaginário argentino e a alimentar uma batalha judicial que procura apurar responsabilidades nos cuidados de saúde prestados ao antigo futebolista. Ídolo máximo do futebol na Argentina, campeão do mundo em 1986 e figura central na história do desporto mundial, Maradona morreu em novembro de 2020, aos 60 anos, enquanto recuperava em casa de uma cirurgia ao cérebro. Desde então, a justiça argentina tem analisado se a sua morte poderia ter sido evitada e se houve falhas graves na vigilância clínica.
No julgamento agora em curso, o testemunho do secretário pessoal de Maradona reforça a imagem de um estado físico e emocional profundamente deteriorado nos meses finais de vida. Segundo essa versão, o ex-jogador estaria “em queda livre” cerca de um mês antes de morrer, afetado por problemas de saúde e por um consumo excessivo de álcool. A expressão é particularmente forte num caso em que o tribunal procura perceber não apenas a fragilidade do paciente, mas também se a equipa médica, os familiares e os responsáveis pela sua assistência agiram com o nível de atenção exigido pela situação.
Maradona viveu durante décadas entre o génio dentro de campo e uma longa luta fora dele contra dependências, excesso de peso e complicações cardíacas e hepáticas, fatores que se agravaram ao longo do tempo. Após a cirurgia ao cérebro, foi decidido que continuaria a convalescer numa residência privada, e essa opção tornou-se depois um dos pontos mais sensíveis do processo, por envolver a qualidade dos cuidados, a supervisão médica e a capacidade de resposta perante um doente com historial clínico tão delicado. É precisamente esse enquadramento que faz do julgamento um caso de enorme repercussão na Argentina: não está apenas em causa a morte de uma figura nacional, mas também a forma como foi tratado nos seus últimos dias.
A investigação judicial procura agora reconstruir, com detalhe, o que aconteceu entre a recuperação pós-operatória e o momento da morte. Para muitos argentinos, Maradona permanece como um símbolo de grandeza e de tragédia, alguém cuja vida espelhou excessos, idolatria e vulnerabilidade. O processo em tribunal tenta separar a lenda da responsabilidade concreta, num caso em que cada testemunho ajuda a esclarecer se o antigo capitão da seleção argentina recebeu, ou não, os cuidados compatíveis com a sua condição clínica.