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Empresários admitem risco do Brasil deixar de exportar carne para a UE

RTP Notícias· 17 de julho de 2026 às 05:40
Empresários admitem risco do Brasil deixar de exportar carne para a UE

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou hoje que existem grandes possibilidades de o setor não conseguir cumprir as exigências da União Europeia (UE) sobre o uso de antimicrobianos.

A possibilidade de o Brasil deixar de exportar carne para a União Europeia surge num momento em que o comércio agroalimentar está cada vez mais condicionado por regras sanitárias, ambientais e de rastreabilidade mais apertadas. A Abiec, que representa grandes exportadores brasileiros de carne, admite que o setor enfrenta dificuldades em responder às exigências comunitárias sobre o uso de antimicrobianos, um tema que a UE tem vindo a tratar como prioritário no combate à resistência aos antibióticos e na proteção da saúde pública.

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de carne bovina, com um peso muito relevante no abastecimento internacional, incluindo o mercado europeu. Para entrar na UE, os produtos de origem animal têm de cumprir normas rigorosas que vão desde a segurança alimentar até aos controlos sanitários nos animais e nos processos de produção. Nos últimos anos, Bruxelas tem reforçado a vigilância sobre substâncias usadas na pecuária, exigindo mais transparência e regras mais estritas quanto ao recurso a antimicrobianos, precisamente para evitar que resíduos indesejados cheguem ao consumidor e para reduzir riscos de resistência bacteriana.

Este tipo de exigência tem impacto direto nas cadeias de produção, sobretudo em países onde a pecuária é extensa e assente em grandes volumes, como acontece no Brasil. Para os exportadores, o desafio não é apenas cumprir a letra da lei europeia, mas adaptar práticas ao longo de toda a cadeia, desde a criação do gado até ao controlo documental e laboratorial dos lotes exportados. Quando uma associação do setor admite a possibilidade de incumprimento, está também a sinalizar o peso dos custos de adaptação, a complexidade dos controlos e o risco de alguns operadores ficarem afastados de um mercado altamente remunerador.

A situação tem igualmente uma dimensão política e económica mais ampla. A União Europeia é um destino importante para produtos de maior valor acrescentado e funciona, muitas vezes, como referência regulatória para outros mercados. Se o Brasil não conseguir alinhar-se com estas regras, poderá perder espaço competitivo e ver parte das suas exportações redirecionada para outros destinos. Ao mesmo tempo, o caso evidencia a tensão crescente entre grandes países exportadores e blocos económicos que procuram impor padrões mais exigentes de produção, numa altura em que a saúde pública, a sustentabilidade e a segurança alimentar passaram a pesar tanto como o preço no comércio internacional.

Este artigo foi desenvolvido com apoio de inteligência artificial a partir de informação publicada pela fonte original (RTP Notícias). Para todos os detalhes, consulte o artigo original.