China e Paquistão pedem cessar-fogo e retomada das negociações entre EUA e Irã
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e seu homólogo paquistanês, Ishaq Dar, defenderam um cessar-fogo e a retomada do diálogo entre os Estados Unidos e o Irã, informou o Ministério das Relações Exteriores chinês, citando conversas entre os ministros realizadas em Xangai nesta quinta
A posição conjunta de Pequim e Islamabad surge num momento de elevada tensão no Médio Oriente e traduz a preocupação de dois atores com interesses estratégicos na estabilidade regional. Wang Yi, chefe da diplomacia chinesa, e Ishaq Dar, ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, defenderam a necessidade de travar a escalada e de relançar o diálogo entre Washington e Teerão, numa altura em que as relações entre os Estados Unidos e o Irão continuam marcadas por desconfiança, sanções e repetidos episódios de confronto indireto.
A China tem procurado afirmar-se como mediadora em crises internacionais, sobretudo quando estão em causa rotas energéticas, comércio global e segurança no golfo Pérsico. Pequim depende fortemente da estabilidade da região para garantir o fluxo de petróleo e para proteger os seus interesses económicos no Irão e nos países vizinhos. Já o Paquistão, que faz fronteira com o Irão e mantém uma relação complexa com os Estados Unidos, tem interesse direto em evitar qualquer conflito prolongado que possa agravar a insegurança nas suas próprias fronteiras e pressionar a já frágil economia paquistanesa.
O apelo ao regresso das negociações com o Irão enquadra-se também no impasse em torno do programa nuclear iraniano. Desde a saída norte-americana do acordo de 2015 e o consequente endurecimento das sanções, as tentativas de reaproximação têm sido intermitentes e frágeis, sem resultados duradouros. Entretanto, cada novo episódio de tensão entre Teerão e Washington aumenta o risco de incidentes militares, repercussões nos mercados energéticos e instabilidade nos países da região.
Ao defenderem um cessar-fogo e o diálogo, China e Paquistão procuram alinhar-se com uma visão de descompressão diplomática que também reforça o seu próprio peso internacional. A mensagem é clara: sem canais políticos abertos entre os Estados Unidos e o Irão, qualquer crise pode rapidamente escalar para um conflito mais vasto, com consequências que ultrapassariam em muito as fronteiras dos dois países.