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🇧🇷 Brasil

90% dos médicos recém-formados dizem não estar preparados para dar más notícias

Folha de S.Paulo· 17 de julho de 2026 às 06:00
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Um estudo brasileiro publicado nesta sexta-feira (17) na Revista Bioética mostra que 90% dos médicos recém-formados não se sentem capacitados para dar más notícias às famílias dos pacientes e avaliam que o treinamento recebido na graduação foi insuficiente. Leia mais (07/17/2026 - 02h00)

A dificuldade em comunicar más notícias continua a ser uma das fragilidades mais visíveis na formação médica no Brasil, segundo um estudo agora divulgado na Revista Bioética. O dado é particularmente relevante porque, para lá da competência técnica, o exercício da medicina exige também preparação emocional e comunicacional para lidar com momentos em que a esperança das famílias colide com diagnósticos graves, agravamento do estado clínico ou mesmo a morte de um paciente.

Esta lacuna não é nova. Em muitos cursos de Medicina, a comunicação clínica tem ganho espaço nos últimos anos, mas continua frequentemente subordinada ao peso das disciplinas biomédicas e ao treino centrado no diagnóstico e no tratamento. Dar más notícias implica muito mais do que informar: exige perceber o contexto da família, ajustar a linguagem, preservar a dignidade do doente e reconhecer o impacto psicológico da mensagem. É por isso que, em vários países, esta competência passou a integrar de forma mais estruturada os currículos médicos, com recurso a simulações, role-play e acompanhamento por docentes e profissionais experientes.

O estudo brasileiro reforça um problema que se sente em hospitais, urgências e unidades de cuidados intensivos: a insegurança dos jovens médicos perante conversas difíceis pode levar a mensagens apressadas, excessivamente técnicas ou emocionalmente inadequadas. Quando isso acontece, aumenta o sofrimento das famílias e também o desgaste dos próprios profissionais, que muitas vezes entram no mercado de trabalho sem ferramentas suficientes para gerir estas situações. Em contextos de grande pressão assistencial, como os serviços públicos de saúde, esta fragilidade torna-se ainda mais evidente.

Mais do que uma falha individual, os resultados apontam para um desafio estrutural na formação médica. Se quase todos os recém-formados consideram insuficiente o treino recebido, o tema deixa de ser acessório e passa a exigir revisão curricular, maior investimento em competências de comunicação e uma cultura hospitalar que valorize a empatia como parte integrante da prática clínica. Num sistema de saúde em que a confiança entre médicos, pacientes e famílias é decisiva, saber comunicar más notícias é também uma forma de cuidar.

Este artigo foi desenvolvido com apoio de inteligência artificial a partir de informação publicada pela fonte original (Folha de S.Paulo). Para todos os detalhes, consulte o artigo original.