Brasileiros se dividem entre visão favorável e desfavorável da China, diz levantamento
Um relatório publicado nesta quarta-feira (15) mostra que 46% dos brasileiros têm uma visão favorável da China, enquanto 40% avaliam o país de forma negativa. O levantamento, feito pela instituição americana Pew Research Center, mediu a percepção de diversas nações em relação à potência asiática. Le
Um levantamento do Pew Research Center, instituição norte-americana conhecida por estudos internacionais de opinião pública, mostra que a imagem da China junto dos brasileiros está longe de ser consensual: 46% dizem encará-la de forma favorável, enquanto 40% expressam uma avaliação negativa. O resultado coloca o Brasil entre os países onde a percepção sobre Pequim aparece mais dividida, num momento em que a potência asiática reforça o seu peso económico e político no sistema internacional.
A leitura destes números ganha relevância porque a China é hoje um dos principais parceiros comerciais do Brasil, sobretudo na compra de matérias-primas, soja, minério de ferro e petróleo. Ao mesmo tempo, a relação bilateral tem-se tornado mais complexa, já que a interdependência económica convive com desconfianças políticas, debates sobre influência tecnológica e preocupações estratégicas que têm marcado a competição global entre Washington e Pequim. No caso brasileiro, essa ambivalência é também refletida no debate interno sobre o papel do país na política externa e no seu alinhamento em temas sensíveis.
O estudo do Pew ajuda ainda a perceber que a percepção da China não depende apenas de comércio ou diplomacia, mas também da forma como cada sociedade interpreta o avanço chinês em áreas como infraestrutura, indústria, tecnologia e presença internacional. Em vários países, a imagem de Pequim oscila entre a ideia de parceiro indispensável e a de potência assertiva, com impacto nas cadeias de abastecimento, nas telecomunicações e na segurança económica. No Brasil, essa dualidade é particularmente visível porque a China é simultaneamente um mercado crucial e um actor frequentemente associado a disputas geopolíticas mais amplas.
Num cenário de tensões entre grandes potências, estes dados mostram que a opinião pública brasileira acompanha, ainda que à sua maneira, as mudanças no equilíbrio mundial. A divisão quase equilibrada entre avaliações positivas e negativas sugere que a China já não é vista apenas como uma fonte de oportunidades económicas nem apenas como uma ameaça estratégica, mas como um actor cuja presença desperta leituras muito distintas numa sociedade cada vez mais exposta aos efeitos da rivalidade global.