Secretário de Estado dos EUA lança iniciativa global contra 'terrorismo da extrema esquerda'
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, lançou nesta quinta-feira (16) uma iniciativa liderada por Washington para coordenar esforços internacionais de "combate ao terrorismo de extrema esquerda". A autoridades de mais de 60 países, o americano afirmou que a violência atribuída a gru
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, avançou com uma nova iniciativa diplomática para procurar alinhar dezenas de países no combate à violência política associada à extrema esquerda, num momento em que Washington tem vindo a reforçar a sua retórica sobre ameaças internas e transnacionais. A proposta surge num contexto em que os Estados Unidos continuam a lidar com a polarização extrema do debate público, com o governo a enquadrar certos episódios de violência ideológica como uma questão de segurança internacional e não apenas de ordem interna.
Marco Rubio, figura central da diplomacia da administração republicana, é um veterano da política norte-americana e um dos nomes mais influentes da ala conservadora no Congresso antes de assumir a chefia da diplomacia. A sua intervenção neste dossier enquadra-se numa linha dura que o aproxima das prioridades de segurança defendidas por setores do Partido Republicano, que têm procurado dar maior centralidade à luta contra movimentos radicais, redes militantes e formas de extremismo que consideram desestabilizadoras para as democracias ocidentais.
A ideia de um esforço coordenado com mais de 60 países mostra a intenção de Washington em internacionalizar o tema e criar uma linguagem comum entre aliados sobre o que define terrorismo político, um conceito que é frequentemente objeto de disputa diplomática. Em termos históricos, os EUA têm liderado coligações globais contra o jihadismo desde os ataques de 11 de setembro de 2001, mas agora tentam estender essa abordagem a outras formas de radicalização, incluindo a extrema direita e a extrema esquerda, ainda que a forma como cada governo interpreta estas ameaças varie bastante de país para país.
A referência à “extrema esquerda” também toca num terreno sensível, porque a designação pode abranger desde grupos armados e redes anarquistas até movimentos de protesto radicalizados, o que levanta debates sobre os limites entre militância política, violência organizada e terrorismo. Ao lançar esta iniciativa, Washington procura assumir a liderança num debate internacional cada vez mais marcado pelo medo da radicalização e pelo impacto de atentados, ataques a autoridades e sabotagem política, ao mesmo tempo que reforça a pressão sobre aliados para adotarem uma posição mais alinhada com a leitura norte-americana da ameaça.