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Europa acelera o rearmamento em meio a tensão russa

Folha de S.Paulo· 16 de julho de 2026 às 23:29
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A aceleração do rearmamento europeu surge como resposta direta ao agravamento do ambiente de segurança no continente, marcado pela guerra na Ucrânia e pela perceção, cada vez mais enraizada nas capitais europeias, de que a ameaça russa deixou de ser abstrata. Desde a invasão em larga escala lançada por Moscovo em 2022, vários governos da União Europeia passaram a rever doutrinas militares, aumentar orçamentos de defesa e acelerar programas de aquisição de armamento, numa mudança que rompe com décadas de relativa contenção orçamental após o fim da Guerra Fria.

Este novo impulso não se resume apenas ao apoio a Kiev. Em países como Alemanha, Polónia, França ou os Estados bálticos, a prioridade passou a ser reconstruir capacidades militares próprias, reforçar munições, defesa aérea, blindados e sistemas de vigilância, e reduzir dependências externas, sobretudo num momento em que os Estados Unidos deixam transparecer maior exigência na partilha do fardo da segurança euro-atlântica. A invasão da Ucrânia expôs fragilidades profundas: arsenais esvaziados, produção industrial insuficiente e forças armadas desenhadas para missões expedicionárias ou de crise, e não para um conflito de alta intensidade no flanco leste.

Ao mesmo tempo, a discussão sobre rearmamento também reflete a transformação da própria União Europeia, que tem vindo a assumir a defesa como um tema estratégico e não apenas nacional. Bruxelas tem incentivado compras conjuntas, reforço da indústria de defesa e mecanismos para aumentar a produção, numa tentativa de criar escala e rapidez face à urgência do contexto. O desafio, porém, é duplo: equilibrar a necessidade de dissuasão com a sustentabilidade orçamental e evitar que a corrida ao armamento fragmente ainda mais as prioridades entre países com geografias e perceções de ameaça diferentes.

No fundo, a Europa vive um momento de viragem histórica. O debate já não é apenas sobre apoiar a Ucrânia, mas sobre saber se o continente está disposto a assumir que a segurança voltou a exigir capacidade militar credível, investimento prolongado e maior autonomia estratégica. A tensão com a Rússia, alimentada por episódios de sabotagem, guerra híbrida e retórica agressiva do Kremlin, tornou essa discussão inevitável e empurrou a Europa para uma nova fase, em que o rearmamento deixou de ser tabu para se tornar uma necessidade política e militar.

Este artigo foi desenvolvido com apoio de inteligência artificial a partir de informação publicada pela fonte original (Folha de S.Paulo). Para todos os detalhes, consulte o artigo original.