EUA atacam Irã após morte de militares americanos na Jordânia
Os Estados Unidos lançaram novos ataques aéreos contra o Irã na noite deste sábado (18), segundo o Centcom (Comando Central das Forças Armadas dos EUA). A ofensiva acontece após o anúncio de que dois militares americanos foram mortos e um está desaparecido na Jordânia após um ataque iraniano realiza
Os Estados Unidos lançaram novos ataques aéreos contra alvos ligados ao Irão, numa escalada que surge na sequência da morte de dois militares americanos na Jordânia e do desaparecimento de um terceiro, após um ataque atribuído a forças alinhadas com Teerão. A operação, anunciada pelo Comando Central norte-americano, insere-se num momento de forte tensão no Médio Oriente, onde a guerra na Faixa de Gaza tem alimentado um risco crescente de alastramento do conflito para outras frentes da região.
A Jordânia, aliada estratégica de Washington, acolhe há anos tropas americanas no âmbito da luta contra o Estado Islâmico e de missões de apoio à estabilidade regional. O ataque que vitimou militares dos EUA representa por isso uma mudança de patamar, ao atingir diretamente um dispositivo americano fora do território israelita e em solo de um país considerado relativamente estável. Para a Casa Branca, responder com força tornou-se também uma forma de sinalizar dissuasão, depois de várias semanas de ataques de milícias pró-iranianas contra interesses americanos no Iraque, na Síria e no mar Vermelho.
O Irão, que mantém uma rede de aliados e grupos armados na região, procura normalmente evitar um confronto direto com os Estados Unidos, mas o atual contexto tornou mais fluida a fronteira entre guerra por interpostas forças e confronto aberto. Desde o início do conflito entre Israel e o Hamas, em outubro, multiplicaram-se os ataques de grupos apoiados por Teerão contra alvos associados a Washington e Telavive, num movimento que reflete a estratégia iraniana de pressão regional e a resposta americana de contenção. A própria proximidade geográfica da Jordânia aos teatros de guerra do Iraque, da Síria e de Israel torna o país particularmente exposto a este tipo de dinâmicas.
Os ataques norte-americanos desta noite mostram, assim, que a administração de Joe Biden está a tentar equilibrar duas prioridades difíceis de conciliar: proteger as suas forças e evitar uma guerra regional em larga escala. A margem para manobra é estreita, porque qualquer resposta mais dura pode levar a novo ciclo de retaliações, mas uma reação demasiado limitada poderia ser interpretada como fraqueza por aliados e adversários. É essa tensão, entre dissuasão e contenção, que tem marcado a política dos EUA no Médio Oriente desde que o conflito em Gaza reacendeu uma crise regional já profundamente instável.