Evenepoel ganha 15.ª etapa e sobe a segundo após desistência de Vingegaard
O ciclista belga Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) ganhou este domingo no alto do Plateau de Solaison, subindo ao segundo lugar da geral da Volta a França após uma 15.ª etapa marcada pelo abandono de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike).
Remco Evenepoel voltou a mostrar porque é hoje uma das figuras centrais do ciclismo mundial ao triunfar na 15.ª etapa da Volta a França, no alto do Plateau de Solaison, um final em subida que costuma separar os trepadores puros dos candidatos reais à camisola amarela. O belga, que reforçou a sua condição de referência nas grandes voltas depois da mudança para a Red Bull-BORA-hansgrohe, tirou partido de uma jornada exigente para ganhar tempo aos rivais e subir ao segundo lugar da classificação geral.
A etapa ficou, no entanto, marcada sobretudo pelo abandono de Jonas Vingegaard, o dinamarquês da Visma-Lease a Bike e um dos maiores especialistas da atualidade em corridas por etapas. Vencedor do Tour em anos recentes e principal adversário de Tadej Pogacar nas edições mais recentes da prova, Vingegaard vinha novamente apontado como um dos nomes que podiam disputar a vitória final em Paris. A sua desistência altera de forma significativa o equilíbrio da corrida e abre espaço para uma luta diferente pelos lugares do pódio e pela própria liderança da prova.
Evenepoel, campeão olímpico e antigo vencedor da Volta à Espanha, tem procurado consolidar-se como um ciclista completo também no Tour, uma prova onde durante anos lhe faltou consistência nas etapas de alta montanha para acompanhar os melhores até ao fim. O triunfo no Plateau de Solaison surge como mais uma demonstração da sua evolução, num terreno duro que exige capacidade de resistência, gestão de esforço e explosividade na parte decisiva da subida. Em etapas deste tipo, qualquer fraqueza é rapidamente exposta, razão pela qual a vitória ganha ainda mais peso competitivo.
Com Vingegaard fora da corrida e Evenepoel a assumir o segundo posto da geral, a Volta a França entra numa nova fase, tanto do ponto de vista táctico como psicológico. A ausência de um dos favoritos não apaga o nível competitivo da prova, mas muda a forma como as equipas se posicionam: a luta pelo topo fica mais concentrada, as margens de erro diminuem e cada etapa de montanha passa a ter impacto direto na classificação final. Para o ciclismo belga, o resultado reforça também a imagem de Evenepoel como sucessor natural da tradição de grandes voltistas do país, numa época em que o Tour continua a ser o palco máximo para medir a grandeza de um corredor.