EUA e Irã intensificam ataques após morte de militar americano no Iraque
Os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irã na noite deste domingo (19), de acordo com o Centcom (Comando Central das Forças Armadas dos EUA). A ofensiva aconteceu após o anúncio de que mais um militar americano foi morto por um ataque iraniano, desta vez no norte do Iraque, região em que Washingt
A escalada militar entre os Estados Unidos e o Irã voltou a ganhar intensidade no Médio Oriente, depois de a morte de mais um militar americano no norte do Iraque ter sido atribuída a um ataque de origem iraniana ou a grupos armados apoiados por Teerão. A resposta de Washington surgiu com novos bombardeamentos, confirmados pelo Centcom, o comando que supervisiona as operações militares dos EUA na região, num ciclo de retaliação que tem alimentado a tensão desde o agravamento do conflito entre Israel e o Hamas.
O Iraque tornou-se, nos últimos anos, um dos principais palcos desta disputa indireta. O país acolhe tropas norte-americanas desde a guerra de 2003 e continua a ser alvo de ataques de milícias pró-iranianas, que contestam a presença militar dos EUA e procuram pressionar Washington a afastar-se da região. Para os Estados Unidos, a presença no Iraque tem sido justificada pela luta contra o Estado Islâmico e pela manutenção de capacidade de dissuasão no Médio Oriente; para o Irão, e para os seus aliados locais, trata-se de uma influência estrangeira a combater.
A morte de militares americanos costuma provocar respostas rápidas por parte da administração dos EUA, sobretudo quando a Casa Branca pretende evitar a imagem de contenção excessiva perante ataques a pessoal e interesses norte-americanos. Ao mesmo tempo, qualquer ofensiva direta contra alvos ligados ao Irão ou às suas redes de influência aumenta o risco de uma expansão do conflito, numa região já marcada pela guerra em Gaza, por ataques no Mar Vermelho e por trocas de fogo entre diferentes atores armados.
Este novo episódio mostra como a fronteira entre guerra aberta e confrontos por interposta pessoa continua cada vez mais ténue no Médio Oriente. O Irão procura preservar a sua rede de influência regional sem entrar numa confrontação total com os EUA, enquanto Washington tenta proteger as suas forças e impedir que os ataques fiquem sem resposta. O resultado é uma espiral de represálias que pode alterar o equilíbrio de segurança no Iraque e além dele, com consequências ainda difíceis de prever.