Trump anuncia tarifa de 100% sobre medicamentos genéricos a partir de 2028
Donald Trump anunciou nesta terça-feira (21) planos para impor tarifas de 100% sobre alguns dos medicamentos mais utilizados nos Estados Unidos a partir de 2028, como parte de seu mais recente esforço para transferir a produção industrial para o país. Leia mais (07/21/2026 - 23h45)
Donald Trump voltou a usar a política comercial como instrumento de pressão sobre a indústria farmacêutica, ao anunciar a intenção de aplicar uma tarifa de 100% sobre determinados medicamentos genéricos a partir de 2028. A medida insere-se na estratégia que o presidente norte-americano tem defendido desde o seu regresso ao centro da política económica: reduzir a dependência externa, atrair produção para território dos Estados Unidos e reforçar sectores considerados estratégicos para a segurança nacional.
Os medicamentos genéricos têm um peso central no sistema de saúde americano porque representam a maioria das prescrições e permitem baixar custos face aos fármacos de marca. Grande parte da produção destes medicamentos está hoje concentrada fora dos EUA, sobretudo em países asiáticos e na Índia, que se tornou um dos principais fornecedores mundiais. É precisamente essa dependência de cadeias de abastecimento internacionais que Trump procura inverter, argumentando que os Estados Unidos devem produzir internamente bens essenciais, em particular os ligados à saúde.
A decisão, porém, pode ter efeitos complexos. Embora a intenção seja estimular investimento industrial doméstico, tarifas desta dimensão tendem a pressionar preços, dificultar importações e obrigar as empresas a redesenhar cadeias de fornecimento. No caso dos medicamentos, o impacto pode ser particularmente sensível, porque qualquer perturbação na disponibilidade de genéricos tem reflexos diretos no acesso dos doentes e na despesa do sistema de saúde. A indústria farmacêutica, por seu lado, já vinha alertando para o risco de medidas protecionistas agravarem a instabilidade num mercado que depende de margens reduzidas e de produção em grande escala.
O anúncio também deve ser lido no contexto mais vasto da política industrial de Trump, que tem incluído tarifas, incentivos à relocalização produtiva e forte pressão sobre empresas multinacionais. Ao marcar 2028 como horizonte para a entrada em vigor, a Casa Branca procura dar tempo às empresas para adaptarem a produção, mas também estabelece uma linha de confronto clara com o modelo globalizado que durante décadas estruturou o setor farmacêutico. Para os consumidores e para o sistema de saúde americano, a grande incógnita é saber se esta estratégia acabará por reforçar a autonomia industrial sem penalizar o acesso a medicamentos baratos.