Voltar às notícias
Últimas
🇧🇷 Brasil

O que um tubarão que vive 400 anos pode nos ensinar sobre a longevidade

Folha de S.Paulo· 26 de julho de 2026 às 15:07
Últimas

Corpos de animais marinhos mortos costumam aparecer nas praias castigadas pelas tempestades da costa oeste da Irlanda. Mas, em abril de 2026, um grupo de pesquisadores e voluntários que caminhava pelo litoral do condado de Sligo se deparou com uma cena rara: um tubarão-da-Groenlândia morto, uma espé

A costa oeste da Irlanda é conhecida por receber, após grandes tempestades, carcaças de animais marinhos arrastadas pelo Atlântico. Ainda assim, a descoberta de um tubarão-da-Groenlândia no condado de Sligo chamou a atenção de investigadores e voluntários, não apenas pela raridade do achado, mas pelo simbolismo de se tratar de uma das espécies mais extraordinárias do planeta. Este tubarão, associado às águas geladas do Árctico e do Atlântico Norte, é famoso por uma longevidade que pode ultrapassar vários séculos, tornando-se um dos vertebrados mais antigos conhecidos.

O interesse científico em torno desta espécie vai muito além da curiosidade. O tubarão-da-Groenlândia é um caso extremo de adaptação biológica: cresce lentamente, amadurece tardiamente e vive em ambientes frios, fatores que parecem estar ligados ao seu metabolismo particularmente lento. Para os biólogos, estudar estes animais é uma forma de tentar perceber que mecanismos celulares e genéticos podem estar por detrás de vidas tão longas e de uma resistência invulgar ao envelhecimento. Em termos simples, estas criaturas funcionam como uma espécie de laboratório natural para a investigação sobre a longevidade.

A descoberta na Irlanda ganha ainda mais relevância porque estes tubarões são difíceis de observar vivos. Passam grande parte do tempo em águas profundas e frias, longe das zonas costeiras mais acessíveis, o que limita o conhecimento direto sobre o seu comportamento e fisiologia. Por isso, quando um exemplar dá à costa, os investigadores procuram aproveitar a oportunidade para recolher dados sobre a espécie, desde medições e amostras de tecido até pistas sobre a sua alimentação, habitat e estado de conservação. Num contexto em que o oceano está sob pressão crescente devido às alterações climáticas e à atividade humana, cada espécime encontrado pode ajudar a construir um retrato mais completo de uma espécie ainda envolta em mistério.

É também por isso que o tubarão-da-Groenlândia desperta fascínio para além da ciência. A sua existência desafia a percepção comum sobre o tempo de vida dos animais e alimenta a discussão sobre o que significa envelhecer bem. Embora não existam fórmulas humanas capazes de replicar diretamente a biologia desta espécie, os estudos sobre organismos excecionalmente longevos ajudam a abrir caminhos na medicina, na biologia do envelhecimento e na compreensão de doenças associadas à idade. Neste caso, um animal encontrado morto numa praia remete, paradoxalmente, para uma das perguntas mais vivas da ciência: até onde pode ir a vida?

Este artigo foi desenvolvido com apoio de inteligência artificial a partir de informação publicada pela fonte original (Folha de S.Paulo). Para todos os detalhes, consulte o artigo original.